A criação do Estado de Israel aconteceu oficialmente em 14 de maio de 1948, por intermédio da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa data marcou a proclamação do Estado de Israel, após décadas de lobby e campanhas imigratórias promovidas pelos defensores do sionismo. O sionismo é um movimento que defende a criação de um Estado judaico na Palestina como solução ao antissemitismo na Europa. No entanto, essa criação também estabeleceu um conflito com os palestinos árabes, que se estende até hoje. Atualmente, a nação palestina não possuem um Estado nacional nem têm seus territórios delimitados "oficialmente".

Isto posto, o sionismo é um movimento político e ideológico que surgiu no final do século XIX, principalmente na Europa, com o objetivo de estabelecer um lar nacional para o povo judeu na região histórica de Israel/Palestina. Seu principal articulador foi Theodor Herzl, que organizou o movimento em resposta ao antissemitismo crescente e à necessidade de autodeterminação judaica. O sionismo levou à criação do Estado de Israel em 1948. Existem diferentes correntes dentro do sionismo (socialista, revisionista, religiosa, etc.), mas todas compartilham a crença no direito do povo judeu a um Estado soberano em sua terra ancestral.
EXISTEM JUDEUS ANTISSIONISTAS
Embora a maioria dos judeus ao redor do mundo apoie a existência de Israel, há uma minoria significativa que se opõe ao sionismo por diferentes razões religiosas, éticas ou políticas
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Este grupo diverso inclui tanto judeus religiosos ultraortodoxos quanto judeus seculares de esquerda, e suas motivações para se opor ao sionismo variam consideravelmente.
Motivações dos Judeus Antissionistas
As razões para a oposição ao sionismo se dividem principalmente em duas categorias: religiosa e política/secular.
Visão religiosa: Crença de que o retorno dos judeus à Terra de Israel e a criação de um Estado judeu só podem ocorrer com a vinda do Messias, e não por um movimento político secular.
Visão política: Oposição ao nacionalismo judaico (sionismo) em favor de uma visão binacional ou socialista para a região; consideram que as políticas de Israel em relação aos palestinos constituem apartheid, colonização ou limpeza étnica.
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Neturei Karta é um grupo judeu ortodoxo (visão religiosa) que rejeita o sionismo e advoga pela paz e coexistência. |
Assim, judeus antissionistas existem, mas são um grupo pequeno e diverso. Eles incluem tanto fundamentalistas religiosos que aguardam a intervenção divina quanto ativistas seculares de esquerda que veem o sionismo como uma forma opressora de nacionalismo. Embora sua existência desafie a ideia de que todo judeu é sionista, é importante ressaltar que eles estão na periferia do judaísmo e são rejeitados pela esmagadora maioria das instituições e líderes judaicos ao redor do mundo.
EXISTEM ANTISSIONISTAS NÃO JUDEUS O antissionismo de um não judeu não é, por si só, antissemitismo, mas ele opera em um campo minado histórico e político onde os dois fenômenos frequentemente se tocam, se alimentam ou se disfarçam.
Vamos categorizar os antissionistas não judeus em três grandes grupos.
O Antissionista Palestino e Árabe (O Oponente Direto)
Quem são: Palestinos (muçulmanos e cristãos) e outros árabes (sírios, libaneses, jordanianos, egípcios).
Qual é a lógica deles: Para um palestino, o sionismo não é uma ideologia abstrata. É o movimento que, na sua visão, colonizou sua terra, expulsou seus avós (a Nakba de 1948), os colocou sob ocupação militar (1967) e nega a eles o direito de retorno e autodeterminação no território que era deles. O antissionismo deles é uma forma de nacionalismo de resistência, simétrica ao sionismo, porém do lado perdedor da guerra.
O Antissionista de Esquerda Ocidental (O Aliado Crítico)
Quem são: Intelectuais, ativistas pró-palestinos, movimentos de justiça social, mas também muitos cristãos, ateus, anarquistas, etc.).
Qual é a lógica deles: Eles enxergam o sionismo como um movimento colonial de colonos, análogo ao apartheid sul-africano ou ao colonialismo europeu nas Américas. Para eles, a criação de um Estado judeu exclusivo (com Leis de Retorno e símbolos nacionais judeus) é inerentemente racista e incompatível com a democracia liberal. Eles defendem um Estado secular e binacional (do rio ao mar) com direitos iguais para judeus, palestinos muçulmanos e cristãos.
O Antissionista Cristão (O Teólogo da Substituição)
Quem são: Algumas denominações cristãs tradicionais (partes do catolicismo pré-Vaticano II, algumas igrejas protestantes liberais) e grupos como os Quakers (conhecidos por seu ativismo pró-palestino).
Qual é a lógica deles: Esta é a forma mais antiga e teológica de antissionismo. Baseia-se na doutrina da Teologia da Substituição: a crença de que a Igreja substituiu Israel como o "povo de Deus", e que as promessas bíblicas (a Terra de Israel) foram espirituais, não territoriais. Portanto, o sionismo é uma heresia que tenta forçar a mão de Deus e se agarrar a uma promessa literal que já foi cumprida espiritualmente em Cristo.