O afrocentrismo e a afrocentricidade são conceitos interligados, mas cada um aborda aspectos diferentes da experiência africana e afrodescendente:
- Afrocentrismo: É uma corrente filosófica que busca colocar a África e os povos africanos no centro da história. Em vez de estudar a África apenas como "colônia" ou "escravizados", valoriza suas civilizações, reinos, ciências e culturas. Foi criado para corrigir visões preconceituosas que tratavam a Europa como única referência. Não significa negar outras culturas, mas reconhecer o papel fundamental da África na formação do mundo. Esta corrente indica que o pensamento filosófico e científico surgiu na África, especialmente na civilização egípcia, considerada “negra”.
- Afrocentricidade: É uma teoria e abordagem acadêmica que procura adotar a prática de viver e pensar a partir dessa visão africana. Significa valorizar a cultura, a história e a identidade negra no dia a dia: nos estudos, na arte, na religião e no jeito de se ver. É um conceito do professor Molefi Asante, que propõe que pessoas negras se enxerguem como protagonistas, e não como "outros". É mais que uma teoria: é uma postura de valorização e autoestima.
Destacamos cinco exemplos de civilizações, entre muitas outras onde se embasa o afrocentrismo:
1. Egito Antigo: O Afrocentrismo argumenta que a história e a cultura africanas começaram no Egito Antigo, considerado o berço da civilização mundial. Os afrocentristas enfatizam as realizações das civilizações africanas antigas e sua influência na história global.
2. Império Mali: O Império Mali, na África Ocidental, foi um centro de comércio, cultura e aprendizado. Mansa Musa, um dos governantes do Mali, é famoso por sua peregrinação à Meca e por sua riqueza, que atraiu a atenção do mundo.
3. Reino do Congo: O Reino do Congo, na região central da África, teve uma organização política avançada e uma rica tradição cultural. Seu comércio com europeus e outros povos influenciou a história global.
4. Civilização Axumita: Localizada na atual Etiópia, a civilização axumita floresceu entre os séculos IV e VII d.C. Ela era conhecida por sua escrita, arquitetura, comércio e cristianismo precoce.
5. Grande Zimbábue: As ruínas do Grande Zimbábue, no sul da África, testemunham uma antiga cidade fortificada que foi um importante centro comercial e cultural. Sua arquitetura em pedra é impressionante e representa a riqueza e a sofisticação da civilização local.
Esses movimentos ilustram a riqueza e a diversidade das contribuições africanas para a história e a geografia mundial, desafiando a visão eurocêntrica predominante.