terça-feira, 16 de junho de 2026

Intervencionismo Estadunidense


Invasão do Iraque (2003)
      
         Como podemos entender o imperialismo (intervencionismo) estadunidense em 3 etapas:

1. A origem da lógica intervencionista: Doutrina Monroe (1823).

        Tudo começou em 1823, quando os Estados Unidos lançaram a Doutrina Monroe, que era basicamente um aviso às potências europeias: "As Américas são nossa área de influência, não mexam aqui". Na teoria, os EUA diziam que queriam proteger a América Latina contra a colonização europeia. Na prática, porém, eles estavam dizendo que se consideravam os "donos do pedaço" e que, com o tempo, usariam esse discurso para intervir eles mesmos em países latino-americanos sempre que seus interesses econômicos ou políticos estivessem em jogo.

2. A evolução ao longo do tempo: Guerra Fria, Guerra ao Terror e rivalidades atuais.

        Depois da Segunda Guerra Mundial, a lógica mudou de nome, mas continuou a mesma. Durante a Guerra Fria, os EUA justificaram intervenções dizendo que era para "conter o comunismo". Depois do atentado de 11 de setembro de 2001, o motivo passou a ser a "Guerra ao Terror". Hoje, com o crescimento da China e da Rússia, fala-se até em uma "Guerra Fria 2.0". Em todas essas fases, os EUA agiram como se tivessem o direito de intervir em outros países para proteger seus próprios interesses.

3. O que significa "America First"?

        Atualmente (governo Trump), a doutrina "America First" (América em Primeiro Lugar) parece ser isolacionista, mas, na verdade, é apenas uma nova versão do velho intervencionismo. Em vez de agir com alianças internacionais ou invasões militares grandes, os EUA agora preferem agir de forma seletiva: usam sanções econômicas, influência na tecnologia e na internet, e só intervêm diretamente quando seus interesses mais importantes estão em risco. No fundo, a mensagem continua a mesma desde 1823: os Estados Unidos decidem o que é melhor para o mundo — e sempre colocam seus próprios interesses em primeiro lugar.

        Abaixo, lista cronológica das principais intervenções, invasões, operações secretas, apoio a golpes e ações de desestabilização conduzidas ou apoiadas pelos EUA.

Década de 1950

1. Guerra da Coreia (1950-1953)
2. Golpe no Irã (1953) - Operação Ajax
3. Golpe na Guatemala (1954) 
4. Intervenção no Líbano (1958)

Década de 1960

1. Invasão da Baía dos Porcos (Cuba, 1961)
2. Guerra do Vietnã (1964-1973)
3. Intervenção na República Dominicana (1965)
4. Apoio a Golpes no Brasil (1964) e na Indonésia (1965)

Década de 1970

1. Golpe no Chile (1973):
2. Apoio a Ditaduras Militares na América do Sul (Operação Condor): Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia.
3. Guerra Secreta no Laos (1964-1973)

Década de 1980

1. Guerra Afegã (década de 1980) - Operação Ciclone
2. Intervenção em El Salvador
3. Guerra Contra a Nicarágua (década de 1980)
4. Invasão de Granada (1983)

Década de 1990 (Pós-Guerra Fria)

1. Guerra do Golfo (1990-1991)
2. Intervenção na Somália (1992-1993) - Operação Restore Hope
3. Intervenções na Iugoslávia - Bósnia (1995) e Kosovo (1999)
4. Intervenção no Haiti (1994)

Década de 2000 (Guerra ao Terror)

1. Invasão do Afeganistão (2001)
2. Invasão do Iraque (2003)

Década de 2010

1. Golpe em Honduras (2009)
2. Guerra Civil Síria (década de 2010)
3. Guerra da Líbia (2011)

Década de 2020 - ("Guerra Fria 2.0")

1. Guerra da Ucrânia (2022-Presente)
2. Pressão e Sanções à Venezuela (2026-Presente)
3. Conflito do Irã (2026-Presente)

Ainda temos:
  • Apoio Contínuo a Israel e ao sionismo.
  • Operações de Drone e "Guerras Secretas": Assassinatos seletivos via drones no Paquistão, Iêmen, Somália e outros países.
  • Sanções Econômicas: Embargos econômicos severos (como os impostos a Cuba, Irã, Venezuela, Coreia do Norte e anteriormente ao Iraque).
  • Tarifaço internacional: tarifas extraordinárias sobre bens produzidos em mais de 50 economias mundiais como a China, Brasil, Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Rússia, Vietnã, África do Sul Canadá, México, União Europeia (UE), Reino Unido, Argentina, Taiwan, entre outros.


ASSISTA O VÍDEO ABAIXO, 
do economista Jeffrey Sachs,
sobre o intervencionismo estadunidense.

Os EUA são IMPERIALISTAS?

        Sim, os EUA são imperialistas, porque exercem domínio sobre outros países — mesmo sem criar colônias formais. Eles fazem isso para garantir acesso a recursos naturais, mercados consumidores e aliados estratégicos, sempre colocando seus próprios interesses acima dos interesses dos demais povos.
        Então, quando vocês ouvirem falar em "Doutrina Monroe", "Guerra Fria", "Guerra ao Terror" ou "America First", lembrem-se: por trás de cada um desses nomes, há uma longa história de intervenção e dominação. E isso, tem nome: imperialismo.


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